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27 de ago de 2015

Sobre ter fome, gritar pela mamãe e se lembrar que agora mora só

O que há de mais nessa fotografia? Um prato com arroz, tomate e salsicha misturada com ovo? O que há de mais? 

Para a maioria nada de fantástico, mas os que me conhecem saberão a importância dessa composição que vai além do que se vê, na verdade tenho aprendido que o encanto de uma fotografia nem sempre encontra-se no aparente. Vejo muito mais coisas nesse prato e nele me reconheço... Vejo solidão, esperança, vejo o desafio de morar só misturado com a preocupação de quem ficou, vejo esperança com pitadas de medo, o amor pelo jornalismo que me trouxe aqui. 

Até então tem sido divertido, morar só é dormir no escuro e acordar no escuro, logo eu que me deleitei na sorte de ter as mãos sagradas de minha mãe que sempre antes de ir para o trabalho deixava a porta aberta, deixava luz. Deixava também o café prontinho, o pão de batata devidamente coberto, o suco natural devidamente adocicado, meu único trabalho era exatamente comprar pão e quantas vezes não fui por preguiça, sono e quantas vezes ela bateu na porta do meu quarto dizendo: Levanta pra comprar a merenda!


Hoje é a fome que me comanda e dizer não nunca será uma boa ideia, afinal, se foi aquela vida caseira durante o dia e rueira durante a noite, já fiz novos amigos, seres de nomes estranhos, gente como Jürgen Habermas, que deixa seu legado para a história da comunicação! É um momento desafiador e como dizem meus amigos de longas datas, preciso dele, o que chamo de "Quim de frente para o Quim", é literalmente me conhecer, mas não vim aqui para mudar quem sou, para deixar de ser quem sou, não vou lutar contra minha natureza, seria lutar contra o que há de belo em mim, assim como em você, ele ou ela! 

Meus anos me permitem entender que dias de caos virão, mas nunca se sabe quão forte é um barco até que a tempestade venha, que venham as cries, os conflitos que só essas paredes (cerebrais) testemunharão, é hora de ser barco forte, ser homem, agir como tal!


Na bagagem trouxe algumas fotos, fragmentos de mim, o legado dos meus pais e o amor por eles, trouxe cada amigo verdadeiro, mas claro, trouxe as cicatrizes, uma por uma, elas me servirão e me farão lembrar de que algumas pessoas são flores e outras tantas são armas prontas para disparar.


Agradeço cada segundo de memória a mim destinado, a cada letra a mim dirigida no Whats, Instagram ou Face, agradeço a cada ligação, nem que seja a cobrar, nem que seja para perguntar se posso ajudar. Em alguns momentos vou sumir (o bicho tá pegando), mas guardo cada um, como quem precisa entregar uma carta. 

Até aqui duas grandes lições: 

1°- Você só sabe o valor de um alimento até estar com fome, chegar na cozinha, gritar por sua mãe e ser lembrado por algum neurônio sacana de que ela encontra-se a cerca de quatro horas de estrada! 

2°- Amizade nada tem a ver com distância, tem a ver com pessoas!

Que Goku derrame sobre vocês sua Genki Dama! =P

Quim
Estudante de Jornalismo da UESPI.

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