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11 de out de 2013

João Do Vale 80 Anos: Algumas Poderações.

Hoje, dia em que o Poeta do Povo completaria 80 anos, não poderíamos deixar de falar do seu legado  e a postura dos pedreirenses diante de sua importância. Abaixo você encontra além do texto seu áudio, já que o mesmo foi vinculado no "Ponto de Vista", coluna diária do programa Tribuna 101 na Rádio Cidade de Pedreiras. Vale dar os créditos Klayrton Sousa, que foi fidedigno na leitura, dando as palavras ênfases coerentes. Não se esqueça de deixar sua opinião, concordando ou discordando, para a gente isso é super relevante. Já ouviu alguma música de João? Conhece seu trabalho?


Confira o texto clicando em "Leia mais".

“A lua é clara, o sol tem rastro vermelho É o lago um grande espelho onde os dois vão se mirar” .
João do Vale

A música Asa do Vento é uma das minhas preferidas, é impossível ouvir sua letra e não imaginar as cenas descritas, como pode um caboclo que partiu da desconhecida cidade de Pedreiras, em um poema, falar de natureza, astronomia e até física? Isso surpreendeu o Brasil, somente alguém com a sensibilidade de João poderia compor algo assim. Seu professor foram suas manhãs, tardes e noites. Fez o lago parecer mar, falou de cenas comuns, do que viu e ouviu.

João não faz falta apenas para os mais próximos, faz falta para a cultura brasileira, pois a riqueza dos seus versos nos são uma verdadeira aula de Brasil, de Nordeste, Nordeste que o deixou partir, certamente sem eira e nem beira, no Rio de Janeiro foi encontrando espaço, o Maranhão seria pequeno demais para ele. 

João foi um astro, mas se despiu do estrelismo conservando os mesmos trajes, tomavas as suas pingas, jogava seus baralhos e dominós, jamais quis dar uma de politicamente correto. Sua grandeza foi tamanha que fez saber o Brasil da existência de uma rua, a Rua da Golada, tida apenas reduto dos cabarés e bebedeiras, foi ali que o discriminado falou dos discriminados. 

E hoje, dia em que completaria 80 anos?  Para responder a essa pergunta nos voltemos a outro trecho da música em que ele diz:
“A aranha tece puxando o fio da teia, 
A ciência da abeia, da aranha e a minha 
Muita gente desconhece.” 

O ícone depois de morto virou polêmica, estátua, teatro, túmulo e festival. João foi grande, do tamanho do Brasil, mas mesmo sendo o maior entre nós, não foi digno de ser o seu nome o nome da avenida principal da terra que cantou, restando-lhe apenas a entrada da cidade, não foi digno de ter um museu em sua honra, até mesmo o mato e a poeira ofuscam seu brilho. Queremos mais Sarais, shows culturais, mas quando o Sarau acabar, o silêncio pairar, onde poderemos encontrar João? Em obras inacabadas que recebem seu nome, em um museu que não é museu, em um Largo que o lixo estreita, pelo menos “sua cabeça” pode ser encontrada num teatro até alguns meses esquecido, recém reformado graças a Paróquia de São Benedito.


Sua arte precisa ser materializada, e isso vai muito além de uma estatua ou um prédio em seu nome.

Engana-se quem pensa que João morreu, ele está mais vivo do que nunca, vivo na história de cada jovem que parti daqui por falta de oportunidade, jovens que olham para todos os lados e não encontram saída, jovens esquecidos, sem representatividade pública. João se faz vivo em cada ato de discriminação, exclusão social e econômica. João é Brasil na versão dos pobres. 

Onde João estiver, deve estar rindo, feliz, livre, afinal, para quem voou nas asas do Carcará o mudo é uma gaiola. Inquestionavelmente ele é o Maranhense do Século XX e aqui nos deixo uma interrogação: Quando o trataremos como tal?

 Parabéns para você João!

Por Quim Buckland,
Fotógrafo.


Um comentário:

  1. Com certeza João do Vale, o nosso João é um dos maiores artistas que este país já teve, um nordestino, maranhense, e decididamente pedreirense de Lago da Onça. Nunca negou essa origem, pelo contrário exaltava-a em seus versos e músicas, fazia questão de dizer que era de pedreiras. Ele que tanto nos mostrou a sua capacidade criativa e sua originalidade, pois falava daquilo que conhecia, da sua realidade e de tantos outros joão's mané's pedro's, faz muita falta. VIVA JOÂO, seu legado ficou pra história

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